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Início > Biblioteca > Dossiers Técnicos > Alimentação e Esclerose Múltipla (EM)

 

Consulte o artigo e faça o download do PDF da apresentação dos Encontros "A Nutrição na Esclerose Múltipla", realizada no dia 12 de Janeiro de 2011.

 

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Prof.ª Doutora Paula Pereira

Nutricionista

ESS Egas Moniz

[publicado no Boletim nº91]


 

Falar sobre a alimentação na EM, é bastante difícil, pois na verdade, ainda muito pouco é conhecido e se encontra comprovado cientificamente. No entanto, parece que, algumas comorbilidades como a diabetes, as doenças cardiovasculares, a obesidade, entre outras, actuam favorecendo a evolução da EM, ou seja: quando um determinado indivíduo é obeso, pode ver a sua EM desenvolver-se de uma forma mais rápida. Se assim for, então a alimentação e/ou nutrição desempenharão uma função deveras importante na qualidade de vida e em todos os factores associados ao declínio ocasionado pela EM. Entre estes factores podemos considerar a fadiga e a obstipação que afligem grande parte dos portadores de EM.

 

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Até agora são poucos os estudos que comprovam uma associação entre a alimentação e a EM mas, no que diz respeito aos ácidos gordos ómega 3 e à vitamina D, já existe alguma evidência científica que demonstra uma influência benéfica entre a sua ingestão e a EM. Também está demonstrado que, todos os nossos hábitos alimentares e de estilo de vida se encontram associados à qualidade de vida que possuímos ou que poderemos possuir no futuro. A vida de um indivíduo que seja portador de EM (excluindo casos em que já existe um grande avanço da doença ou EM amiotrófica) não pode, nem deve, ser muito diferente da de todos os outros indivíduos designados de “saudáveis”, incluindo a alimentação, os hábitos e estilos de vida. No que diz respeito à alimentação deveremos preocuparmo-nos com aquilo que consumimos, ou seja, todos os alimentos deverão ser higienicamente seguros e de qualidade controlada.

 

 

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Quanto à forma como ingerimos os alimentos, devemos ter em conta a individualidade e as diferentes necessidades fisiológicas obrigatórias para o desempenho das funções diárias, estas devem ser satisfeitas atentamente sem excessos tornando-se necessário ter em conta o esforço físico despendido diariamente. De uma forma simples algumas das recomendações são: comer várias, pequenas e variadas refeições ao longo do dia, procurando não ir além das três horas sem comer. Comer mais peixe do que carne, uma vez que é o peixe, sobretudo o peixe gordo e de águas frias que contem a maior quantidade de ácidos gordos ómega 3, que desempenham uma papel importante nas nossas células nervosas. Entre este tipo de pescado encontram-se: a sardinha, o carapau, a cavala, a sarda, o salmão, entre outros.

 

Use e abuse dos vegetais, pois estes são fonte de substâncias antioxidantes, que possuem muita importância na prevenção do processo inflamatório e por outro lado são também ricos em fibra que desempenha uma acção benéfica na prevenção e como auxiliar terapêutico da obstipação. Coma cerca de três peças de fruta por dia, entre as refeições principais, se possível com casca e não se esqueça de beber água ao longo do dia.

 

 

Acima abordou-se a vitamina D como nutriente eficaz no benefício da diminuição e prevenção de surtos na EM, actualmente é muito falada a necessidade desta vitamina lipossolúvel. Saiba que esta se encontra em alimentos como:

 

  • O bagre ou peixe-gato, é o alimento que maior quantidade de vitamina D apresenta: 85 g deste peixe fornece 425 unidades internacionais (UI), cerca de 112,5% da quantidade diária recomendada de vitamina D num adulto.
  • Salmão grelhado ou cozido, contém 360 UI de vitamina D por 100 gramas. Apenas 100 g de salmão fornece 90% da quantidade necessária de vitamina D diariamente.
  • A cavala cozida tem uma quantidade elevada de vitamina D em que cada 100 gramas fornece 345 UI, cerca de 90% da quantidade recomendada diariamente.
  • As conservas de sardinha, petinga e cavala fornecem vitamina D ao organismo. Escorridas, 50 gramas de sardinha contém 250 UI de vitamina, ou seja, 70% da quantidade diária recomendada.
  • Atum enlatado em óleo ou azeite é também um alimento rico em vitamina D: 85 g deste peixe contêm 200 UI, o que implica que 85 g deste alimento fornece cerca de metade das necessidades diárias de vitamina D.
  • A enguia é outro peixe cozido rico em vitamina D. 100 gramas deste alimento contém 200 UI de vitamina. Este montante é 50% da quantidade diária recomendada de vitamina D.
  • Outros alimentos fornecedores desta vitamina são: gema de ovo, fígado de porco ou de vaca, óleo de fígado de peixe como o óleo de fígado de bacalhau, leite, margarinas e manteigas enriquecidas.

 

Apesar da vitamina D poder ser fornecida por alguns alimentos, a sua principal fonte é o sol. A vitamina D é produzida naturalmente pelo corpo humano quando exposto à luz solar directa. Para obter a dose diária recomendada de vitamina D é apenas necessária uma exposição de cerca de cinco a dez minutos, alertando para o facto de uma longa exposição solar ser prejudicial, podendo ser causa de cancro da pele, entre outros.

 

No que diz respeito, a alimentos menos aconselháveis, devemos ter em conta alimentos que possam causar alguma alergenicidade, pois irão intervir de forma prejudicial no sistema imunitário. Os alérgenos alimentares mais comuns responsáveis por 90% de todas as reacções alérgicas, são as proteínas do leite de vaca, os ovos, o amendoim, o trigo, a soja e o marisco, entre outros. Naturalmente, estes alimentos só deverão ser restringidos, nos casos em que o individuo apresente alguma sintomatologia associada a uma potencial alergia como é o caso de problemas de pele, sintomas gastrointestinais ou respiratórios.

 

Por fim o portador de EM não pode baixar os “ombros” ou considerar-se incapaz, tem o dever de se auxiliar fazendo a actividade física que conseguir, tendo em consideração o limite que a EM lhe permite e não chegar a um ponto de extenuação, pois esse excesso poderá reverter-se num surto. Por outro lado, o estado emocional é muito importante e como tal é de grande interesse, tanto para o próprio, como para os seus familiares, que consiga tirar o melhor partido da vida valorizando-a e colhendo todas as coisas boas que esta lhe permite e lhe oferece.

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