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EMcontroSPEM 7Marco2015 EM Carlos Capela 10

“Esclerose Múltipla: Novas realidades e Desafios”

Dr. Carlos Capela, Neurologista

 

(Artigo elaborado na sequência do EMcontro realizados na Sede da SPEM, a 7 de Março de 2015)

 

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória e desmielinizante crónica que afecta o Sistema Nervoso Central (SNC), associada com incapacidade progressiva, comprometendo os doentes no período mais produtivo das suas vidas e afectando a sua qualidade de vida, família e carreiras.
 
A EM é mais comum no género feminino 2-3:1 e apresenta maior prevalência nos caucasianos (por exemplo na América do Norte é de 140/100.000, na Europa de 108/100.000 e em Portugal é de 60/100.000). Apresenta um gradiente de latitude, sendo mais prevalente no norte da Europa o que pode ser explicado por diversos fatores: níveis baixos de exposição UVB e de vitamina D, infecção por EBV (após a infância) e fatores genéticos. A causa é desconhecida, mas a desregulação do sistema imune é central na fisiopatologia da doença.
 
A principal forma de EM é a forma Surto-Remissão (EMSR) que afecta aproximadamente 65-70% do doentes, dos quais 75% convertem na forma Secundária Progressiva (EMSP).
 
Os medicamentos modificadores da doença (MMDs) – os vários Interferões β (INFβ), o acetato de glatirâmero (AG), o fingolimod (FNG) e o natalizumab (NTZ) – estão apenas indicados e aprovados para a forma EMSR. Contudo, apesar dos pipelines de desenvolvimento das empresas biotecnológicas ou farmacêuticas conterem numerosos produtos intencionados para a forma EMSR, alguns destes têm o potencial de serem usados na forma EMSP e nas formas primárias progressivas (EMPP), como o anti-LINGO-1.
 
Os mais recentes MMDs aprovados na Europa para a EMSR são os orais Dimetilfumarato (DMF – Tecfidera®) e Teriflunomida (TFN – Aubagio®), e o endovenoso Alemtuzumab (ATZ – LEMTRADA®).
 
Nos orais, a TFN não acrescenta mais-valia em relação aos MMDs convencionais de 1ª linha (INF-β e AG) para além da via de administração (oral), com eficácia semelhante contudo pior perfil de segurança, o que envolve monitorizações laboratoriais frequentes e um procedimento de eliminação acelerada no caso de uma gravidez inadvertida (ou planeada). Por outro lado, o DMF apresenta uma eficácia próxima dos MMDs de 2ª linha como o FNG, inclusivamente até com melhor desempenho na progressão sustentada da incapacidade, e por isso adiciona mais-valia no tratamento da EMSR. Por último, o ATZ fornece mais uma alternativa para doentes adultos “não respondedores” a um ciclo de MMDs de 1ª linha ou com EMSR grave em rápida evolução, apresentando eficácia superior ao NTZ mas com um perfil de segurança pouco favorável, levando alguns autores a remeterem a ATZ para uma 3ª linha.
 
No campo do tratamento sintomático, a aprovação recente da Fampridina (Fampyra®) indicada para a melhoria da marcha em todos os tipos de EM acrescentou e futuramente o Sativex® (uma combinação de Tetra-hidrocanabinol e Canabidiol) já aprovado nalguns países europeus (RU, Itália, Alemanha e Espanha) para o tratamento da espasticidade vieram reforçar o arsenal terapêutico disponível aos neurologistas com o intuito da melhorar a qualidade de vida dos doentes com EM.
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