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Início > Notícias > Notícias 2012 > IX CONGRESSO "VIVER COM EM" - Conclusões

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Por Drª Luísa Ventura, Fisiatra SPEM

 

Os trabalhos foram iniciados com o tema “O estado da arte na terapêutica e perspectivas futuras”, tema apresentado pela Drª Ângela Timóteo.

 

Após uma passagem breve pela fisio-patologia e diagnóstico da E.M., foram descritos os fenotipos distintos da doença realçando que cerca de 80% dos doentes apresentam uma forma surto remissão.

 

A importância do diagnóstico precoce, e a identificação de (CIS) síndrome clínico isolado, deve ser tratado com terapêuticas modificadoras da doença, uma vez que esta intervenção precoce influencia de forma positiva o prognóstico a longo termo.

 

Os fármacos de 1ª linha para tratamento de E.M. na forma surto remissão são interferão beta 1-a, beta 1-b e o acetato-glâtirâmero. Todos têm efeito na redução da frequência de surtos e na prevenção da incapacidade, apesar de não reverterem défices neurológicos já estabelecidos e daí a necessidade de diagnóstico precoce. Estes são medicamentos seguros mas não existem sob a forma oral.

 

O uso do primeiro anticorpo monoclonal (natalizumab) permitiu uma maior redução de surtos e é usado como fármaco de 2ª linha.  Este medicamento tem perigos associados e há um algoritmo para o manuseamento do mesmo, devido ao perigo de Leucoencefalopatia Cerebral (L.E.M.P.) associado à positividade do vírus JC.

 

Existem outros anticorpos monoclonais como o alemtuzumab, ocrelizumab e daclizumab, que são tratamentos de 1ª linha de escalada terapêutica tal como o natalizumab.

 

O Fingolimod é o único fármaco oral disponível em Portugal, na categoria de 2ª linha.  Em Portugal as suas indicações são semelhantes às do natalizumab, sendo de 1ª linha em escalada terapêutica. Em Portugal e na Europa não foi aprovado como medicamento de 1ª linha quando a doença está controlada com os interferãos.  O mecanismo de acção é evitar a cascata da inflamação ao evitar que linfócitos activados passem a barreira hemáto-encefálica e penetrem no Sistema Nervoso Central (SNC).

 

Decorrem estudos sobre o uso do Fingolimod na forma de EM Primária Progressiva (EMPP)

 

Nos E.U.A. foi aprovada a teriflunamida, que é dada oralmente e diminui a taxa de surtos.

 

O BG12 é também uma forma oral que, além de reduzir a taxa de surtos, obtem menores alterações a nível de imagens na Ressonância Magnética Nuclear (R.M.N.). É  bem tolerado.

 

O Laquinimod é um anticorpo monoclonal que previne a atrofia encefálica. (medicamento oral)

 

O Spinimod é outro anticorpo monoclonal que tem um efeito neurobiológico directo reduzindo a actividade da doença.

 

Fampridina é um medicamento usado para aumentar a velocidade de marcha, eficaz em certos doentes com formas progressivas da doença. (medicamento sintomático).

 

Metilprednisolona é usada nos surtos, não diminui a incapacidade a longo prazo.

 

Como conclusão, são necessários medicamentos:

 

-       que promovam a remielinização.

-       eficazes em formas progressivas.

-       modificadores de doença com menos efeitos secundários.

-       sintomáticos com menos efeitos secundários.

 

A partir desta leitura, devem procurar sempre esclarecimento com o neurologista que acompanha  o doente .

 

 

A Sexualidade na E.M. foi abordada pela Drª Elsa Marques, responsável pela consulta de Disfunção Sexual Neurogénea no S.M.F.R. do Curry Cabral.

 

Com longa experiência nesta área focou aspectos  importantes como seja a educação do doente e a abertura em relação às disfunções sexuais.

 

A prevenção e o tratamento destas disfunções devem fazer parte do programa de reabilitação, identificando também factores de risco associados e a adopção de padrões de vida mais saudável.

 

Apresentou novos modelos de sexualidade com incapacidade, valorizando a carícia, o erotismo, zonas erógenas e aprender a identificar reacções pseudo orgásmicas.

 

Prevenção de certas dificuldades na intimidade, fazendo previamente treino intestinal e ou vesical para evitar perdas, usar fármacos para prevenção de dor,  fadiga e espasticidade, bem como criatividade nas posições adoptadas.

 

A disfunção sexual feminina na E.M. é caracterizada pela diminuição da lubrificação e da libido, dispareunia e alteração da percepção orgásmica.

 

No homem a disfunção eréctil, diminuição da líbido e a diminuição da fertilidade são os maiores problemas referidos.

 

Apontou para ambos os casos estratégias, fármacos e uso de mecanismos de vácuo e de infiltrações, conforme os casos.

 

Terminou realçando a necessidade de tratamento da pessoa com esclerose múltipla de forma global, de modo a maximizar as suas potencialidades ao nível da participação e integração familiar e sócio profissional.

 

O Dr. João Mairos falou sobre a maternidade na E.M., tema muito importante uma vez que esta afecta predominantemente mulheres em idade fértil.

 

A gravidez é um projecto de vida que diz respeito ao casal, deve ser planeada e ocorrer de preferência numa fase de doença controlada. Sempre que possível envolver a restante família, avós, tios, etc, que poderão dar um contributo muito especial em fases de maior cansaço e fadiga após o parto, e também ao longo da vida em que a mãe sinta maiores dificuldades.

 

A gravidez é o período de tréguas da esclerose múltipla.

 

O índice de surto de doença é maior no puerpério. A gravidez não altera índice global de progressão da doença.

Os bebés de mães com E.M. nascem geralmente com mais baixo peso. As grávidas com E.M. têm os mesmos problemas de uma gravidez como seja o aumento de peso, alterações urinárias, intestinais e lombalgias, por vezes com intensificação de algumas destas características.

 

Por vezes é necessário o uso de fórceps, ventosa ou mesmo uma cesariana. É preferível a anestesia ser epidural em vez da raquianestesia.

 

É sempre importante antes de engravidar falar com o Neurologista responsável, sobretudo para planear o início de tratamentos modificadores, levando tudo a crer que devam ser iniciados nas 12 semanas a seguir ao parto para evitar surtos.

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