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Abracelete: o “smartwatch” que facilita a monitorização da progressão da EM

By 2021-01-22 Fevereiro 5th, 2021 No Comments

Congresso Nacional da SPEM propõe “hackathon” e “ganha” uma inovadora bracelete que permite acompanhar e agir precocemente em relação à EM

 

No Congresso Nacional de EM 2020, da SPEM, foi inserida uma iniciativa para recolha de ideias que visassem resolver problemas para pessoas com Esclerose Múltipla. Desta forma, surgiu o concurso Hack4Good que, após ser partilhado em diversas universidades do país, contou com dois projetos inovadores, desenvolvidos por jovens estudantes, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos doentes de EM.

Inês Lima e Mariana Oliveira – vencedoras do concurso Hack4Good e criadoras d’Abracelet

O Hack4Good é desenvolvido e apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a qual estimula iniciativas tecnológicas que promovam soluções inovadoras para áreas sociais. O Hack4Good não é mais do que uma maratona de desenvolvimento tecnológico, ou seja, um “hackathon”, que tem por base um desafio de resolução de problemas ou necessidades sociais e ambientais, intervindo assim na melhoria de algumas organizações.

Com um júri multidisciplinar, conduzido por Magda Fonseca (especialista em biotecnologia farmacêutica) e António Vilares (pró-diretor SPEM), a iniciativa passou por um processo de avaliação e votação (entre o público e os jurados) que culminou no último dia do Congresso. No final, por ser “mais objetivo e focado na necessidade”, o projeto “Abracelet”, de Mariana Oliveira e Inês Lima, foi o vencedor.

“assim que soube do concurso da SPEM, pensei imediatamente nela [a tia com Esclerose Múltipla] e foi talvez a maior força motriz que me levou a querer participar neste projeto”

Enquanto estudantes de Engenharia Biomédica (e Biofísica), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Mariana e Inês contam que o que mais as motiva éa perspetiva de melhorar o mundo da saúde através da tecnologia”. Como tal, uma vez que trabalham diretamente para melhorar a vida das pessoas, sentem uma responsabilidade social acrescida.

Protótipo d'Abracelet

Protótipo d’Abracelete (wearable mais app)

No entanto, as jovens não escondem que houve outro fator que as levou a concorrer. Além do espírito empreendedor da Inês, Mariana explica que tem uma tia com Esclerose Múltipla e, por isso, “assim que soube do concurso da SPEM, pensei imediatamente nela e foi talvez a maior força motriz que me levou a querer participar neste projeto”.

O projeto “Abracelet”

O projeto desta equipa passa pela criação de uma aplicação móvel ligada a um wearable com a forma de bracelete de pulso (como um SmartWatch, por exemplo), visando a facilitação da monitorização da progressão da EM. Abracelet foi pensada parapermitir um acompanhamento mais ativo e em tempo real, quer pelo doente, quer pelo seu clínico, de forma a poder agir precocemente”, explicam as criadoras.

“[Abracelet permite] um acompanhamento mais ativo e em tempo real, quer pelo doente, quer pelo seu clínico, de forma a poder agir precocemente

O utilizador não tem de fazer nada, visto que, a ideia incide numa recolha passiva de sinais biométricos (dados pelos, já conhecidos, SmartWatches ou FitBands) e do seu posterior tratamento (mediante um algoritmo de inteligência artificial que processa a informação e a coloca num interface compatível com telemóveis Android ou IOS) para, assim, se tecerem conclusões quanto à progressão da doença. Com esta ideia é possível uma ação precoce, “que trará toda uma hipótese de terapêuticas e de abordagens que permitirão retardar o agravamento da doença”.

Abracelet

Medição de sinais biométricos

“Consideramos que uma das principais vantagens deste projeto reside no facto de não ser afeto a nenhum hardware específico, permitindo ao utilizador recorrer a um dispositivo que já tenha”, explicam Mariana e Inês.

“Todos tínhamos um denominador comum: queríamos, de algum modo, melhorar a vida estas pessoas”

As jovens consideram que este desafio superou as suas expectativas e, se pudessem, inscrever-se-iam de novo. “O ambiente entre concorrentes foi sempre muito positivo. Nunca se sentiu rivalidade, mas sim a vontade de ver as ideias crescer. Todos tínhamos um denominador comum: queríamos, de algum modo, melhorar a vida estas pessoas”, afirmam. Desta forma, não escondem que, quando anunciaram os vencedores do concurso, as inundou “um sentimento de orgulho e missão cumprida”.