Os centros de conhecimento Data Science Knowledge Center e Leadership for Impact Knowledge Center, pertencentes à Nova School of Business and Economics (Nova SBE), publicaram no final de julho, as conclusões da 2.ª edição de um questionário para aferir o impacto da pandemia nas Organizações Sociais de Portugal, as suas vivências desde o começo do desconfinamento e as perspetivas futuras.

Para a avaliação do impacto da COVID-19 e do Estado de Emergência social nas Organizações Sociais portuguesas, foi aplicado um primeiro questionário entre 20 de março e 3 de abril de 2020, que teve como objetivo estudar e identificar quais os principais impactos negativos de que as organizações deste sector estavam a ser alvo.

Numa segunda fase, durante o período de 24 de junho a 20 de julho, foi lançado um outro questionário direcionado ao mesmo tipo de organizações, de forma a aferir o impacto da pandemia nas atividades e operações do sector social, a sua experiência desde o início do período de desconfinamento e as suas expectativas futuras.

De acordo com o primeiro estudo divulgado pela Nova SBE, estimava-se que grande parte das Organizações Sociais portuguesas, cerca de 77%, apresentavam um declínio nas suas receitas, devido à situação causada pela pandemia da COVID-19.

No estudo em questão, participaram 232 entidades, incluindo a SPEM, distribuídas por todo o país, tendo a grande maioria referido uma grande queda das receitas nas seguintes áreas: prestação de serviços (34%), atividades de angariação de fundos e donativos (29%) e também das mensalidades ou quotas de associados (26%).

Segundo a Nova SBE, cerca de 40% dessas organizações tiveram uma quebra na faturação superior a 30% e, das que assumiram a subida dos custos, a maior fatia (40%) das inquiridas apontou a aquisição de equipamento de proteção, desinfeção e segurança como a principal explicação.

Este primeiro estudo mostrou que o Estado de Emergência comprometeu de forma relevante os serviços das organizações para quem necessita, isto é, o seu beneficiário, encerrando total ou parcialmente as instalações onde as organizações sociais realizam as suas atividades – tendo 80% das organizações indicado ter encerrado alguma atividade aberta ao público.

Na segunda fase do estudo, tal como na primeira, responderam 232 Organizações Sociais, onde a SPEM, mais uma vez, contribuiu com o seu input. A distribuição das organizações que fazem parte do universo de respostas obtidas, relativamente à sua caracterização, manteve-se semelhante à primeira versão do estudo, destacando-se a predominância de organizações cuja Atividade Principal é o Serviço Social (ex.: Centros Sociais, Lares) com 52% das respostas, seguidas de Saúde (10%) e educação (9%).

Reportando-se ainda ao Estado de Emergência, 69% das organizações inquiridas expressam uma forte adesão ao regime de teletrabalho, com 28% a ter mais de 75% dos seus colaboradores a adotar este regime.

Como se tinha visto no estudo anterior, o Estado de Emergência teve impacto nas prestações mensais pagas pelos beneficiários destas organizações, pois apenas 26% destas constata a manutenção total das prestações, 50% assume uma redução dos valores cobrados e 24% das entidades reporta uma perda total das prestações devido ao encerramento das atividades.

Considerando o período de desconfinamento, observa-se uma redução na proporção de trabalhadores em teletrabalho, onde 43% das organizações mantém este paradigma. Apesar deste regresso ao meio de trabalho, 86% das entidades respondentes afirma que o contexto de pandemia e as suas limitações acelerou o processo de transformação digital, com uma forte adoção de plataformas de conversação, videoconferência e partilha de informação (76%), entre outras ferramentas. A aceleração da transformação digital é considerada pela maioria (56%) das organizações inquiridas como um veículo para aumentar o seu impacto social.

Ainda segundo este estudo, apenas 10% das organizações está a observar um aumento das receitas no período de desconfinamento, indicando que esta retoma provém principalmente de receitas de produtos e serviços já existentes antes da pandemia de COVID-19.

Em relação aos custos, uma grande proporção das organizações volta a indicar um aumento dos seus custos (48%), e aponta a aquisição de Equipamento de Proteção, Desinfeção e Segurança como a sua principal origem (85%). O aumento de custos é ainda justificado com gastos associados a tecnologia adotada durante este período, e à compra de produtos/ serviços que anteriormente eram doados.

Embora 22% das organizações inquiridas ainda não tenham reaberto ao público, entre as que reabriram, sente-se uma confiança praticamente idêntica por parte dos colaboradores neste regresso (80%) quando comparados com os seus beneficiários (79%). É, segundo o relatório, “um indicador de rápida retoma de confiança, que leva a crer que as medidas de proteção adotadas foram eficazes para restabelecer o regresso da atividade económica no país”.

O conjunto de organizações inquiridas concorda que a pandemia mudou as suas atividades principais devido à adoção de medidas de proteção e segurança (67%), seguido pela forma como se desenvolve o trabalho (ex.: teletrabalho, trabalho por turnos, maior digitalização) (48%) e também na alteração da gama de produtos e/ ou serviços oferecidos (22%), entre outras alterações menos expressivas.

Quanto às expectativas futuras do desenrolar da pandemia, 92% das organizações acredita na sua capacidade para voltar a servir os seus beneficiários com a mesma qualidade pré-pandemia. Adicionalmente, 69% das entidades planeia manter as mudanças efetuadas na sua atividade no âmbito da COVID-19, com a exceção das medidas de proteção e segurança, agora obrigatórias.

Para além dos impactos na sua atividade, estas organizações acreditam que a pandemia veio intensificar um conjunto elevado de problemas sociais, nomeadamente problemas do foro psicológico, desemprego e pobreza.

 

Estes e outros resultados poderão ser encontrados no relatório da primeira fase do estudo, e no relatório da segunda fase (clicar nos links respectivos, para aceder).