O Dia Nacional de Luta Contra a Dor é uma data criada pela Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), e comemora-se tradicionalmente na terceira sexta-feira de outubro, ou seja, hoje, dia 16 de outubro 2020, volta a ser mais um desses dias. Importa não esquecer esse dia para continuar a lutar para uma melhor qualidade de vida para as pessoas que a enfrentam, e que doa o menos possível! 

Sobre esta temática, a Susete Margarido, Assistente Social da SPEM, que acompanha pessoas com esta limitação, deixa aqui o seu testemunho:

“A dor, como um dos sintomas da EM, é uma das condicionantes da vida dos portadores. Isto quer dizer que tem grande influência na sua rotina, na sua vida pessoal, na dinâmica familiar, no emprego e, portanto, torna-se essencial o seu tratamento adequado, que evite este sofrimento. O desconforto físico e emocional que a dor causa, pode estar também associado a outras comorbidades e sintomas da EM. Todo este processo provoca grande transtorno ao doente, muitas vezes invisível aos olhos dos outros. As pessoas sentem-se incompreendidas e, estas situações, acabam por alimentar estigmas e discriminação. As repercussões da dor, são impactantes na vida destas pessoas, uma vez que conduzem a dificuldades em manter uma atividade laboral, baixas médicas prolongadas, a reformas por invalidez antecipada, isto faz com que fiquem com baixo rendimento e, consequentemente, baixo poder de compra para bens essenciais e medicação…  que se reflete na sua qualidade de vida. É neste sentido que pensamos que é necessário olhar para estas questões, é imprescindível assinalar o Dia Nacional de Luta contra a Dor fazendo efetivamente isso – lutando, sensibilizando profissionais, doentes e a comunidade em geral e, também, agindo em prol de um melhor acesso à Saúde, nomeadamente, no acompanhamento do doente com EM em consulta da dor.”

Susete Margarido (Assistente Social na SPEM)

Viver com dor

“Avaliar a dor apenas pela sua intensidade é como descrever a música unicamente pelo seu volume” Dr. Carl Van Bayer, tal como refere a Dra. Andreia Matas, Neurologista no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, no Webinar, organizado pela Patrícia Lopes, da Delegação de Bragança.

E, para esta Profissional, que acompanha pessoas com EM, a dor engloba muito mais do que a sua intensidade, nomeadamente para os portadores de EM, a dor é um dos sintomas muito frequentes e incapacitantes, o seu o impacto é elevado e inegável, tendo repercussões em toas as vertentes. A dor é uma “grandeza “matemática variável, é subjetiva, e esta é a grande questão. Deste modo, é necessário ajudar a viver e conviver o melhor possível com ela. A Dra. Defende que as pessoas, conjuntamente com o seu assistente, têm de encontrar as melhores estratégias terapêuticas, e outras “alternativas”, sublinhando o exercício físico como uma mais valia, e nunca deixar a medicação.

Acrescenta ainda que quando nos deparamos com uma dor, temos de ter a certeza daquilo que estamos a trabalhar. Não esquecer que cada doente é um doente.

Assiste ao Webinar EM’Consulta com Dra. Andreia Matas:
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