A inovação em saúde conhece um novo passo significativo na monitorização e tratamento da Esclerose Múltipla: foi aprovado pela União Europeia um novo teste que permitirá detetar a atividade inflamatória nas células nervosas através de uma simples análise ao sangue. A solução chegará em breve aos hospitais e laboratórios portugueses.

A Esclerose Múltipla é uma doença crónica, autoimune, inflamatória e neurodegenerativa, que afeta mais de 2,9 milhões de pessoas em todo o mundo. Até agora, o acompanhamento da progressão da doença dependia fortemente de exames de ressonância magnética que, embora eficazes, são dispendiosos, demorados e, muitas vezes, apresentam listas de espera longas.

O novo teste da Roche foca-se numa proteína chamada NfL (neurofilamento de cadeia leve). Quando as células nervosas sofrem danos, libertam esta proteína no sangue. O biomarcador NfL funciona como um “sinal de alerta” precoce: níveis elevados no sangue podem indicar que a doença pode estar ativa, mesmo antes dos sintomas físicos se agravarem.

Ao medir os níveis de NfL através de uma análise comum, os médicos conseguem obter um “panorama” em tempo real da inflamação e dos danos neurológicos, permitindo ajustar tratamentos de forma mais ágil e personalizada. O teste funciona como um complemento à ressonância magnética, facilitando o acompanhamento regular da doença e possibilitando uma intervenção médica mais rápida.

O teste já tinha sido distinguido pela agência norte-americana FDA como um “Dispositivo Inovador” e, com a atual aprovação europeia, passará a estar disponível em todos os países que aceitam a marcação CE, incluindo Portugal.

Mais proximidade e rapidez para o doente

Para os doentes, a grande vantagem reside na acessibilidade. Uma vez que requer apenas uma colheita de sangue, este teste torna-se mais fácil de fazer quando comparado com testes que necessitam de técnicas mais invasivas ou exames complementares demorados.

“A disponibilidade de um teste simples baseado em análises ao sangue tem o potencial de complementar os atuais exames de diagnóstico e melhorar o acesso dos doentes ao acompanhamento de que necessitam”, afirma Roel Meeusen, diretor-geral da Roche Diagnósticos em Portugal.

Alexandre Guedes da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, afirma que “os novos biomarcadores de sangue representam um avanço muito significativo na abordagem clínica à Esclerose Múltipla. Esta inovação tem o potencial de permitir uma intervenção mais atempada e uma melhor monitorização da doença ao longo do tempo”.

“Para as pessoas que vivem com Esclerose Múltipla, isto traduz-se numa esperança acrescida de melhor prognóstico e qualidade de vida”, afirma.

A Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla saúda este progresso científico, que reforça a importância da inovação no caminho para uma gestão cada vez mais eficaz da doença.

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